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"A FESTA DOS INÚTEIS"
comédia de rua grotesca e valdevina
Abram as portas (ruas) à nova e inquietante manobra da fúria exuberante da companhia Artelier.
"A Festa dos Inúteis", vagamente olhando o universo Felliniano e as comédias burlescas e decadentes do fim do séc.XIX.
Mais do que uma paródia de "bolo na cara". A Artelier? Interroga de forma abstracta mas incisiva os usos e costumes de uma sociedade onde a abastança parece ser em certos casos causa de males maiores do que a falta. Como diz o ditado "não há fome que não dê em fartura" e em "A Festa dos Inúteis", a Artelier? Faz pender a balança de uma inicial bulimia colectiva para um fatídico ataque de anorexia geral. A rir se castigam os costumes e os seus personagens acumulam entre si um invejável lote de práticas de excesso que lhe confere uma dimensão "cliché" que se fragmenta e deixa à livre interpretação a descodificação das diferentes densidades e subtilezas. "A Festa dos Inúteis" apropria-se do espaço cénico de forma fixo (palco) ou em percurso (rua) com paragens para as diferentes cenas.
Partindo de um dispositivo cenográfico poetizado a partir das antigas tradições do espectáculo de feira, bem como do imaginário dos saltimbancos, a Artelier? Elege como espaço cénico central e utilizando dramaturgicamente em quatro frentes uma Roulotte de Circo, O PALACIO DE VALDEVINO, o conde Minotauro, anfitrião da festa.
Um conjunto de personagens inesquecíveis: A Mulher de corpo de copos, Silas o mordomo culpado, Cuque, o cozinheiro,A Mulher objecto, A Dama de pernas de mesa, Caras o motorista, a empregada Ana Floyd & Ana, A Srª E.Vidente entre outros personagens, dão vida a esta comédia burlesca, onde não faltam inúmeros tributos ao circo(teatro?) vaudeville, ao cinema mudo, ao musical, às artes da proeza humana, aliados a um domínio das técnicas do teatro físico, do audiovisual, da pirotécnica e da sonoplastia quadrifónica, que se revelam num autentico trabalho de investigação sonora para espectáculo de rua e de eficaz comunicação, vanguardista, contemporânea, mas de cariz popular e não elitista.
MAIS DO QUE UMA ANIMAÇÃO, MAS POR CERTO UMA GRANDE ANIMAÇÃO
Brevemente numa rua perto de si. |